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Rascunhos de Memórias

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O Terramoto de 1755

A história de Lisboa, e com ela a do país inteiro, ficou marcada pelo terramoto que, na manhã de 1 de Novembro de 1755, destruiu quase completamente a velha cidade que vivia então os restos da sua opulência. A cidade crescera “desde os tempos medievais, dentro e fora de duas sucessivas muralhas, a de Mouros e a de D. Fernando, concentrar-se na planura, perto do Tejo...”[1].

Foi uma catástrofe tremenda, antes que estava tudo calmo, “um sol claro, e um vento leve do nordeste...o termómetro apontava 14 graus...fazia um calor demasiado para aquele Outono que ia seco”. Ficou na consciência dos sobreviventes que o terramoto foi  um castigo de Deus.

Este acontecimento perdura na memória. No dia do terror as pessoas enchiam as igrejas, mostravam a sua devoção religiosa ao viver intensamente o dia.

 

Após o primeiro abalo foi o caos, uma onda de pânico assolou Lisboa, pessoas a gritar, corpos debaixo dos escombros, casas destruídas, os incêndios incontroláveis. Além disto, mais tarde começaram as pilhagens, os homens fugidos da prisão provocavam receio. A cidade, “ ficara em parte arrasada pelo sismo e em maior parte foi devastada pelo fogo. Dois terços das ruas ficaram inabitáveis...”[2]. Com o segundo abalo o povo abandonou a cidade, e a cidade praticamente despovoou-se. Porém, algumas pessoas corajosas ficaram e arriscaram a sua vida a salvar outras dos escombros. A casa do ministro Pombal na rua Formosa ficou de pé, segundo o relato de um autor, salientando que foi um acto divino.

 

 

O ministro de D. José, Marquês de Pombal, começou a planear tudo ainda durante a tragédia segundo rezam as crónicas. Pombal chegou com a sua pasta cheia de papéis junto ao rei, o rei estava aflito e abraçou o ministro. Pombal começou logo a ditar ordens ao provedor da justiça para a remoção dos cadáveres e para se armazenar todo o trigo. Teria dito Pombal, “da mesma forma que as inundações são necessárias aos rios extravasados para as fazer correr no leito natural de onde tinham saído, pode haver casos que ele seja em parte aniquilado”.

 

O terramoto fez milhares de mortos, tem sido avançado o número de 18 mil vítimas[3]. Os novos abalos sentidos nas semanas seguintes tornaram a ideia de mudar a corte para Coimbra mais fiável. Mas Pombal surgiu contra essa ideia e, mostrou as casas que já se iam erguendo. Pombal foi o homem certo para esta situação – “ era necessário aquele homem para aquela desgraça”.

 

A capital ficou completamente destruída, as casas em ruínas, o fogo a queimar o que restava do tesouro da cidade. É visível também, o rio furioso a invadir a Baixa da Cidade. Os prejuízos de certo são muitos, a riqueza pessoal ficara nos escombros das suas casas.

 

A praça Patriarcal ficou em ruínas, algumas paredes dos edifícios resistiram, mas não é possível viver sem tecto. Nas gravuras ressalta à vista os edifícios parcialmente destruídos, mas também as pessoas a ajudar os feridos que, possivelmente, estavam nos escombros.

 

Esta igreja  de S. Nicolas desmoronou-se, ficando só uma parede lateral e a torre. Imaginando que muitas pessoas estavam nesta igreja a celebrar o dia de todos os santos tiveram um fim trágico. Foi uma constante, grupo de pessoas a tentar salvar vidas ou a recuperar os seus bens.

 

 

[1] -França, J. Augusto, A Reconstrução de Lisboa e a Arquitectura Pombalina, Instituto da Educação e Ciência, Lisboa, 2ª ed., 1981, pp. 11-15.

[2] - Idem

[3] - Segundo José Augusto França, “ o Núncio calculou quarenta mil mortos, outros falavam em setenta ou noventa mil, o futuro marquês de Pombal reduziu o cálculo a seis ou oito mil – mas os números mais fidedignos da época anunciam de doze a quinze mil habitantes”. Este número que é lançado na revista é próximo do mais provável.

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